Festa de Aniversário

Posted in Reflexões em mi bemol on 12/08/2010 by reginasardoeira

       

 

RENÉ MAGRITTE, As Férias de Hegel

 

 

 

FESTA DE ANIVERSÁRIO

(Epílogo)

           Pouco sabemos da vida, é verdade e muito menos sabemos da morte, por mais teorias ou alegados relatos que possam fazer-se de uma e de outra. Hegel escreveu que viver é a mesma coisa que morrer e eu, que sou apenas uma estudiosa diletante (como pode perfeitamente demonstrá-lo esta espécie de autobiografia), sem nunca me deter muito a penetrar na orgia dialéctica do professor alemão, interpretei a citação do filósofo mais ou menos assim.

            Vida e morte constituem o todo da existência humana e uma delas encontra a outra num determinado ponto, formando um círculo fechado, cujas pontas se dissolvem no exacto momento em que se unem. Por outro lado, se supusermos que cada indivíduo nascente inicia, vivendo, um percurso paulatinamente orientado em direcção ao desfecho natural, a morte, entenderemos a sentença hegeliana, uma vez que, nos extremos, vida e morte coincidem já que uma conduz à outra, uma é a condição inevitável da outra. Ora, se essa coincidência ocorre no fechamento do círculo dialéctico, estando sempre latente no percurso, mas perdida, enquanto coincidência, pois tendemos a sentir-nos vivos enquanto temos a aparência de vivos e acreditamos ser impossível sentirmo-nos mortos, a partir da hora em que deixarmos em definitivo de ter consciência de nós, porque não há-de despertar, enquanto consciência, a sensação de morte ainda que travestida da ilusão da vida?

            Passei 80 anos de vida crente na trivialidade perfeitamente ordinária e comezinha da minha existência, da absoluta realidade dos eventos do meu quotidiano e ainda do círculo de relações que estabeleci. E contudo, no dealbar desse aniversário, toda a linearidade se desmoronou e eis que percebo novas dimensões do ser e do estar, novos aspectos de mim e do mundo em volta de mim! Compreendo que não vivi um sonho, pois dos sonhos é comum despertarmos, para os situarmos exactamente no patamar da realidade onírica, nossa, sem dúvida, mas incapaz de desfazer a trama coerente da realidade que constitui aquilo a que chamamos vigília. Por essa razão, depois de proceder a algumas investigações, de que fiz antes o relato sucinto, mas que de modo nenhum lançaram claridade sobre a razão de ser do fenómeno do meu rejuvenescimento e regressão, sobre o encontro com Luís de Múrcia e a minha viagem a Portugal, uma outra teoria acabou por ganhar supremacia. Percebi que aquela noite em que os meus filhos se uniram à minha empregada Giulia a fim de me homenagearem com uma festa de aniversário foi, efectivamente o momento do fechamento do círculo da minha existência. Morri, portanto!

            Nunca pensei ser possível conjugar este verbo assim, no pretérito perfeito, e poder dizer como acabei de fazê-lo: Morri!, mas, a crer em Hegel (ou na minha interpretação da legenda hegeliana que citei antes), pronunciar assim este verbo, neste tempo, é tão  legítimo e mesmo lógico como afirmar: Vivi! pois, no extremo da interpretação destas afirmações, elas significam precisamente o mesmo! Logo, a minha festa de aniversário não foi realmente a comemoração de um aniversário mas, provavelmente, a cerimónia ritualística do velório e do enterro. Curiosamente, estive presente nesses cerimoniais, não como o esperavam os meus filhos e a Giulia, mas na posição inversa, ou seja, olhando para todos com a lucidez de quem rompe as amarras com a trivialidade e acede finalmente a viver a excepcionalidade transcendente, que em si habita, mas que o quotidiano esfarela dia após dia, hora após hora.

            Pensam os homens, na sua racionalidade trôpega, que a morte elimina a consciência, mas eu sei perfeitamente que não. Chamo-lhe consciência, reparem, e não alma, ainda que talvez todos me percebessem melhor se eu usasse esse termo gasto, essa entidade oriunda de uma espécie de outra dimensão, que ninguém entende, de facto, mas que a todos parece satisfazer, quando se trata de explicar fenómenos transcendentes ou para lá da vida. Mas entenderemos mesmo esta centelha que nos anima constantemente e nos leva a perceber-nos enquanto sujeitos, a perceber o ruído dos outros em torno de nós, da terra e da natureza, do real e do imaginário, tudo isso a que simplesmente chamamos consciência?

            Todas as explicações são deficientes. Produto neuronal, excreção do cérebro que segrega o pensamento, como o fígado segrega a bílis, milagre outorgado pela divindade ao ser predestinado como rei da criação…mas afinal onde localizamos fisicamente a consciência? Não a localizamos, especificamente, ela não é um órgão como o coração ou o estômago mas preside ao seu ordenamento e, quando eles deixam de funcionar, a consciência continua lá, coesa e muito mais eficaz, pois deixou em absoluto de depender da actividade mecânica e condicionada dos órgãos do corpo.

            Obviamente que a minha consciência não quis assistir ao desmoronamento do corpo, a que de certo modo pertenceu, durante 80 anos. A minha consciência rejeitou o cerimonial fúnebre e hipócrita a que submeteram o corpo ao qual emprestou algum sentido, durante um certo tempo, mas que se lhe tornou alheio naquele instante limite. Livre das amarras confinantes do organismo a minha consciência lançou-se em voos, acedeu a tempos e a vivências deixados suspensas pela condição específica do organismo que serviu. A minha consciência está viva, habita um tempo e um espaço, o mesmo de que era presa enquanto o organismo a amarrava; mas, em simultâneo, tornou-se capaz de romper os limites, e ora vai, ora vem, em viagens assombrosas, simultaneamente mentais e corpóreas, preenchendo lacunas, encontrando companheiros, criando universos e transcendendo-se continuamente. Tornou-se divertido olhar à minha volta e imaginar quantas daquelas pessoas estariam mortas, sem disso suspeitarem e, aos poucos, consegui mesmo estabelecer a diferença entre os vivos-vivos e os vivos-mortos, entre os que entendiam a excepcionalidade da tomada de consciência, após a desagregação fisiológica, e os outros ainda mergulhados em duplicidade e angústia. Não narrávamos uns aos outros o que sabíamos, era uma espécie de pacto, aquele que tacitamente travávamos, mal nos reconhecíamos. E assim conquistei a minha eternidade, sabendo que aquela era a única salvação da espécie humana  mas que ninguém o tinha ainda descoberto e que, por isso, era cedo demais para fazer revelações e pôr a ciência em acção. Mas o estado a que ia chegando a sociedade dos homens, esses que ainda eram vivos e levavam existências anódinas e repugnantes, como foi a minha antes dos 80 anos e da festa do meu aniversário, revelava sinais tão alarmantes de fim de tempo que eu sabia estar próxima a hora da revelação ao mundo da minha experiência, afinal partilhada por uma elite, como em tempos profetizou o filósofo do eterno retorno.

            De Portugal trouxe uma réstia de saudosismo e, sempre que vejo chegar Setembro e o Vesúvio parece crescer sobre a Baía de Nápoles, ataca-me a nostalgia intensa do meu companheiro de viagem e suspiro, desvairada, durante uns dias, pela figura morena de olhos amendoados que dá pelo nome de Luís de Múrcia e me ensinou os segredos de mim mesma.

           As primeiras chuvas, porém, devolvem-me a serenidade por inteiro.

           

           

QUE ASSIM SEJA

Posted in Poesia on 26/06/2010 by reginasardoeira
  
 
 

QUE ASSIM SEJA
 
 
 
Os sonhos erguem-se numa vastidão estreme
onde sóis e tempestades entretecem
uma cortina diáfana
por onde a luz 
em breve
expulsará toda a sombra
 
eu sei
que o ardor rectilíneo
não se compadece de certas oscilações
sei
que o cinzento dos dias
traz (às vezes)
a mescla inconfundível
do tédio e da rotina
sei
que os clamores da verdade
aguilhoam
surtos alternados de distância e fome
sei
que o que está junto
ora parece disperso
ora se estreita
em prisão cerrada 
 
mas o que conta
são os cristais da madrugada
espalhando veios de prata legítima
sobre rastos de olvido
e crateras de incerteza
e convertendo o dia
em epopeia ondeante
de trompas e címbalos
em anúncio solene
de novas harmonias
 
Quem não souber erguer-se
(a cada hora)
e saudar o sol
acima da cabeça
mesmo quando a nuvem
ameaça toldar
a vastidão cerúlea do horizonte
quem não resgatar o tempo
na afirmação confiante
de madrugadas a renascer
e sentir
(sobre a cabeça)
a leveza de uma vida a construir
 
ah
não seria melhor
guardar-se em si próprio
para não se imiscuir
nas torrentes vitais
dos que preferem caminhar?
 
Ora nós
sobrepujamos o tempo
rodamos os ponteiros da existência
(a nosso favor)
e por essa razão
ousamos unir-nos em celebração
crendo que a vida contém
muitas vidas
e cada porto é ainda
a partida para outros oceanos 
e cada noite
o roteiro profundo
de outras alvoradas
 
Que assim seja
 

 

Trajectos

Posted in Prosa Poética on 27/03/2010 by reginasardoeira
 
 
 
 
 
 

 TRAJECTOS

O passado

desaguou no presente (e aqui se plasmou)

lançando bruma sobre o que havia

tirando fulgor a espaços e gentes

contraindo o tempo numa dimensão única

umas vezes vórtice

outras amplidão

O passado quis guindar-se a futuro

e trouxe as tintas vibrantes

(com que construíra um sonho)

feitas apocalíptica imagem do todo

sem descanso

sem resguardo

O passado deixou de o ser

porque se rendeu ao presente

e nele instalou sua potência

onde os sonhos se fizeram realidade

e a realidade se converteu em nada

Desertando do tempo linear

estrangeira nas lides comuns

(dos relógios e das datas)

vendo atrasar ou adiantar os ponteiros

e não conseguindo deitar-lhes a mão

a fim de os submeter

à dinâmica natural dos homens

e da vida

vejo que agora

sou um eu (e um não-eu)

este

que aparece no mundo de sempre

e saúda os vultos de sempre

este

que se recolhe dentro de si

e ouve apenas uma voz

e vê apenas uma face

e sente apenas o toque de  uma mão

este

que vai (sonolento)

até às moradas de sempre

e encontra uma enorme moleza

estendida às pernas do ser

este

que se acolhe à sombra de um sonho

a querer despontar para o mundo real

este

que sabendo quem é

se desconstrói até ficar

em carne viva

Apanharei a corrente

desaguarei num oásis

esperar-me-á a fonte

(após a secura)

a tarimba

(após a caminhada)

o leito

(após a vigília)

a madrugada

(após a insónia)?

Sim

mais tarde (ou mais cedo)

a vida reporá o seu trajecto

 

Torpores

Posted in Poesia on 07/03/2010 by reginasardoeira

 

 

 RODIN, O BEIJO

 

 

TORPORES

 

Não havia na porta qualquer sinal

e contudo a ela fui bater

(transviada e aflita)

como se por detrás

o rosto amigo pudesse abrir-se

e o corpo amplo apertar-me a solidão

 

 

não havia porta (tão pouco)

apenas uma cova informe por onde me dispus a passar

e contudo

soaram gonzos na minha memória

todos eles ecos e fantasias

(sem laivos de temporalidade)

 

 

não havia nenhuma cova

que pudesse abrigar-me do temporal

e no entanto desci

(o que me pareceram degraus) 

e senti

(o que me pareceu o calor de uma fogueira)

 

 

escorraçada percebi

que caíra de uma espécie de sonho

e o lago azul

por onde flutuavam corolas alvacentas

não passava de um charco

(espezinhado)

e a simples  correnteza

 pareceu-me  augúrio de desgraça

(mas também

uma promessa qualquer de sossego

no final da tormenta)

 

 

tanta chuva

tanto vento e sempre

os frios mordentes dos fins da tarde

e os calores inesperados

(após explosões dispersas dos sentidos)

e cedo a tenebrosa sensação de fim de tempo

( como se nada pudesse haver depois da viagem

depois da despedida

como se um destino funesto houvesse de irromper

para tornar fútil a essência de um encontro

para tornar mendiga a riqueza de muitas promessas)

e depois

o frio

escorrendo

(em silêncio)

(quase só silêncio)

pelas paredes absolutamente mudas

pelos tectos

(pesados e hirtos vazios e silenciosos)

 

 

e e eu sei que este silêncio

(repetido e sofrido) 

ressuma de dentro para fora

(só de dentro para fora)

é em mim que se espetam as verrumas da ausência

como se não pudesse ter

(jamais)

um lenitivo

um aconchego

um pedaço de história

(sempre presente

e não desarreigada do passado

e atirada no futuro)

 

 

e este presente suave

presente onde nenhuma onda arremete

(para ditar o percurso)

onde nenhuma porta bate

(para marcar uma entrada)

nenhum sino toca (a alvorada do tempo)

 

 

[e eu sei que tu não pensas assim

(queres deixar vaguear e vogar e flutuar

como asas ou barcos em correnteza diáfana

 a existência )]

 

 

 

 

MORTO AO CONTRÁRIO

Posted in Reflexões em mi bemol on 19/01/2010 by reginasardoeira

 

 

 

 

 

MORTO AO CONTRÁRIO

     

 

        o morto estava a dirigir-se para cá e vinha outro atrás dele e não era um funeral    como poderia sê-lo que ideia patética nos funerais são os vivos que se deslocam uns atrás dos outros e o morto vai deitado mais à frente num habitáculo esquisito sem suspeitar da procissão que o segue  

portanto de nenhum funeral poderá tratar-se a menos que seja um funeral ao contrário um larenuf 

(percebem)

palavra inventada para exprimir uma espécie de comitiva de mortos a enterrar os vivos

(pois sem dúvida é disso que se trata)

porém se o morto estava a dirigir-se para cá e se vinha outro atrás dele e cá não é o cemitério nem nada mas antes uma honesta e vulgar residência burguesa

(ou será que se trata de um oirétimec e então faz sentido dizer que um morto com outro atrás estava a dirigir-se para cá num larenuf?)  

Presenciei o espectáculo e custou-me a conceber que aquele morto e o outro atrás pudessem deslocar-se a um ritmo tão veloz e mais tarde entendi tratar-se afinal de um otrom

e logo tudo se aclarou mentalmente já que enquanto o conceito de morto se adequa mediocremente ao acto de dirigir-se seja para onde for o conceito hipernovo de otrom é permeável a praticamente tudo.

E então o otrom estava a dirigir-se para cá e vinha outro atrás dele

e já não era necessário recorrer a imagens usuais e ainda por cima mórbidas de funerais ao contrário ou de siarenuf

(neologismo em tudo distinto do singular que posto na devida linha se parece muito com o plural e que assim invertido ou pervertido soa de modo muito diferente e nem sequer a um plural se assemelha!)

Percebi logo a seguir que estava a ser leviana nesta absoluta inversão das letras de palavras comuns pois uma vez sujeitas a uma tal transgressão as palavras mostram de imediato o seu poder

já que larenuf não designa absolutamente nada de conhecido enquanto que a sua contrária em termos de ordenação dos signos desencadeia uma sucessão de imagens de um rigor extremo onde quer que seja pronunciada e perante os ouvidos de quem quer que seja.

Otrom larenuf oirétimec siarenuf  e eis aqui inventada uma nova língua onde otrom já não é morto ao contrário

porque ser morto ao contrário não é nenhum estado conhecido ser morto ao contrário não tem a mínima substância ou razão de ser e por isso mesmo é possível acrescentar imagens novas a uma designação também ela nova.

Assim sendo podemos recomeçar dizendo que o otrom estava a dirigir-se para cá e vinha outro atrás dele.

 

Do Amigo

Posted in Antologia on 06/12/2009 by reginasardoeira
 
 
René Magritte, La Reconnaissance Infinie (1963)
 
 
 
DO AMIGO
 
 
     "  «Tenho sempre junto de mim uma presença importuna», pensa o solitário.«Sempre uma vez um acaba por fazer dois, com o tempo.
       Eu e Mim estão empenhados num diálogo demasiado veemente. Como seria ele suportável, se não houvesse o amigo?»
       Para o solitário, o amigo é sempre um terceiro; o terceiro é o flutuador a impedir o diálogo dos dois de se afundar nos abismos.
      Ai de nós! há sempre demasiados abismos para todos os solitários. Para isso têm eles uma tal sede do amigo e da sua elevação.
      A nossa fé em outrem trai o que desejariam poder crer acerca de nós próprios. Trai-nos o desejo que temos de um amigo. E muitas vezes a amizade apenas serve para superar a inveja. E muitas vezes apenas se ataca e se faz um inimigo para esconder que se é vulnerável.
     «Sê, pelo menos, o meu inimigo!» – assim fala o verdadeiro respeito que não ousa solicitar a amizade.
      Se queremos ter um amigo, é necessário que queiramos também bater-nos por esse amigo; e, para nos batermos, é necessário que possamos ser inimigo. É necessário honrar no seu amigo o próprio inimigo. Poderás chegar junto do teu amigo sem passares  para o seu campo?
      É necessário ter, no seu amigo, o seu melhor inimigo. É ao resistires-lhe que estarás mais próximo do seu coração.
      Não queres usar véu algum para o teu amigo? Pensas honrá-lo ao mostrares-te a ele tal como és? Mas, como agradecimento, ele manda-te para o diabo.
      Aquele que nada dissimula de si excita a nossa indignação; eis porque vos é tão necessário temer a nudez. Se fôsseis deuses, então sim, seria do vosso vestuário que teríeis vergonha.
      Por mais que faças, nunca estarás suficientemente adornado para o teu amigo.    
      Já viste dormir o teu amigo, a fim de o conheceres tal como ele é? Qual é então o rosto habitual do teu amigo? É o teu próprio rosto visto num espelho grosseiro e imperfeito. Já viste dormir o teu amigo? Não tiveste medo ao vê-lo tal como ele é?
      É necessário que o amigo seja mestre na arte de adivinhar e se calar; sabe primeiro se o teu amigo deseja a tua piedade. Talvez ele ame em ti a pupila impassível e o olhar da eternidade. Que a tua piedade pelo amigo se dissimule sob uma dura casca; quebra um dos teus dentes nessa piedade; só então ela poderá ser delicada e doce.
       És, para o teu amigo, ar puro e solidão, e pão, e remédio salutar? Alguns houve que, não conseguindo quebrar as suas próprias cadeias, souberam no entanto libertar os seus amigos.
       És um escravo?  Não poderás ser amigo. És um tirano? Não poderás ter amigos.    
       Por demasiado tempo se ocultaram na mulher um escravo e um tirano disfarçados. Eis porque não é ainda a mulher capaz de amizade: ela apenas conhece o amor.
       Há injustiça no amor da mulher, e cegueira em relação a tudo o que não ama. E,mesmo no amor iluminado da mulher, existe sempre ao lado da luz, a surpresa, o relâmpago e a noite.
       A mulher não é ainda capaz de amizade. Mas dizei-me, homens, qual de entre vós é capaz de amizade?
       Ai de mim, que pobreza a vossa! E como é grande a parcimónia das vossas almas! O que dais ao vosso amigo estou eu pronto a oferecer ao meu inimigo; e não me sentiria por isso mais pobre.
      A camaradagem existe: possa a amizade nascer!"
 
 
 
Friedrich Nietzsche, Assim Falava Zaratustra, Editorial Presença, págs.59/60/61
 

Words you say

Posted in Antologia on 06/12/2009 by reginasardoeira
 
 
 
WORDS YOU SAY
 
 
 
 
 
Words you say to me
I listen in sympathy
But I don’t know what it is
That makes me ignore you.

I hear you every night
I listen but the words
Don’t seem right
My mind seems somewhere else
What else can I tell you?
I don’t know what to do
I’m losing you

Something I can’t control
You are in my heart and soul.
I don’t want to wake up now
I don’t want to wake up now
I don’t want to wake up now
I don’t want to wake up now.

Words you say to me
I’m living in fantasy
If I don’t know what it is
I simply ignore you.

I hear you every night
I listen but the time is never right
My life is so confused
What more can I tell you?

Don’t turn and walk away
Don’t leave this way
Something I can’t control
You are in my heart and soul.

I don’t want to wake up now
(repeat)

 

The Moody Blues/Words You Say/Album: Strange Times 1999

 

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