Viver é subir

 
 
 
 
 
Junção de um quadro de Claude Monet com um de Pál Szinyei Merse
 
 
 
VIVER É SUBIR
 
 
Depois de cair no fundo
De descer verticalmente
Até ao abismo
E depois do abismo
Mais em baixo ainda
Há que buscar as asas
E alçar-me com elas
No ar.
 
Não se quadra com a vida
Este ficar amarrada
Aos frangalhos do ser.
Viver é subir.
 
Por detrás da montanha
O céu é azul.
Mau grado a cinzência
Da bruma outonal
Hão-de vir verões.
Viver é subir.
 
Descansa
estás intacto.
Aprendi a ver
Por detrás do limite.
 
Sem nenhuma amargura
Contemplo os escombros
Do que nada foi
Do que nada será.
Mas viver é subir
Para a frente e p’ra cima:
Nada cresce p’ra baixo.
 
Olha, eu bem sei
Que houve luz
Que houve sombra:
Mas a vida é assim mesmo
Que importa chorar?
Isso já foi ontem
Porque agora é manhã.
 
Eu abri a janela
Estava sol
Era dia.
Uma pomba voou
Uma folha tremeu
Uma gota de orvalho
Deslizou
E caiu.
Chorar?
 
Isso já foi ontem
Que viver é subir.

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