Perdido

 
 
Vincent Van Gogh, No Limiar da Eternidade
 
 
 
 
PERDIDO
 
 
Perdido na vida
 o homem flutua
 encarnação da terra
 meteoro arrancado ao firmamento
 estrela insubmissa
 (e logo
 guardião de sonhos
 pastor de tormentas
 condutor de exércitos
 de fugas
 e de mitos)
 
 Sobre ele pende
 uma predestinação
 urdida no futuro
e atirada de rajada
 para um passado uterino
 (onde o sémen inconsciente
 lhe ditou os contornos falazes)
 
 O homem pensa
 e sonha
e em cada manhã
 arranca do fundo do ser
 o motivo para respirar
 até ao âmago
o ar e o fumo
  (que a natureza
 não é o alimento puro
do pulmão minguado
 perdida a consistência primordial
 das auroras perfumadas)
 
 Hoje é assim
(que o homem)
 perdido num vaguear
 dia a dia esculpido na fronte
 em linhas de neblina
 enterra
 na urgência purificante dos incensos
atirados em lufadas
 pelas pedras corrompidas
 das catedrais
o vigor pressentido
nos dias das cavernas
como luz diamantina
capaz de cegar
o que a ela se expõe
(tiradas as vendas
soltas as máscaras)

Uma resposta to “Perdido”

  1. Alcyone Says:

    GOSTEI DO SABÔR DA EXPRESSÃO «LUZ DIAMANTINA»! LEMBROU-ME O JUNQUEIRO QUE LI MUITO NOVINHO AINDA …

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