TEMPO

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Hoje sinto-me óbvia, eis porque ilustro a minha Reflexão em mi bemol com A Persistência da Memória de Dalí…
 
 
TEMPO
 
 
Abrir livros antigos e sorver-lhes a magia amarelada é tarefa idêntica ao rebuscar das memórias icónicas, transparentes pelo uso e quase esfareladas. Que importa o passado se não há tempo? Que importa o presente se não há tempo? Que importa o futuro se não há tempo? Repetição tornada monocórdica, de propósito, porque é assim o tempo e não adianta querer prendê-lo por mais rigorosos que se hajam tornado cronómetros, calendários e outros medidores da utopia cronológica. Eu, por exemplo, posso ter 105 anos mas também posso ter 27; e todavia nada significam estes números – que escrevi com algarismos,  para que se tornassem tangíveis; e, que diferença poderá fazer uma data de nascimento… ou a outra?
Às vezes, principalmente de noite, reparo – ao acordar é claro! – que me transmutei, e pode bem ser que tenha andado para trás ou sabe-se lá! Talvez o relógio tenha parado e me acrescentasse algumas horas de tempo. E, durante o dia, naqueles minutos indecisos em que não consulto o relógio e bruscamente me agride o carrilhão do tempo dos outros, sei lá se passou uma hora ou um dia ou se andou para trás uma semana ou um mês, esse curso improvável que nem tão pouco pode contemplar-se como se fosse um rio ou a lava de um vulcão? Não acredito, por isso, na história, essa que os manuais tratam maiusculamente e a outra que, não sei porquê, os pseudo-escritores desataram a escrever com um «e» para assim se tornarem interessantes ou quem sabe (de novo)? se arvorarem em paladinos de uma rebeldia pseudo-criativa: porque são pseudo-escritores, a rebeldia criativa só poderia ser pseudo… e eu bem sei que tanto faz escrever «história» como «estória» embora esta segunda palavra me faça arrepiar por dentro, mas isso sou eu, esta que de modo nenhum se afirma seja o que for, que talvez tenha 35 anos ou quem sabe (de novo)? os 80 espreitem nas sombras dos meus telhados de vidro. Tenho-os, sim, telhados de vidro e gosto deles porque me deixam ver as nuvens e os raios das tempestades e com eles acordo de manhã  sentindo que passou a noite, muito embora, admito, talvez nada tenha passado porque nada haja para passar.

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