Confusa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

René Magritte

 

 

 

CONFUSA

 

 

 

Confusa

 a vida leva o seu ritmo

 a vida ou a existência

 a bios e a existenz

 duas categorias estanques ou complementares

consoante sejamos bestas ou humanos

consoante tenhamos raízes ou cérebro pensante

que nos encaminha os passos no chão

 

 

Ela só pode ser confusa

com laivos de clarividência

possíveis apenas

na virtualidade espúria de certos devaneios

e até os devaneios

nada definem

a não ser a força

de uma espécie de motor que nos comanda

qual célula animada

reproduzida em milhares de cambiantes

na ciclópica aventura do tempo.

 

 

Confusa

sim só confusa

alternando entre a sombra e a luz

aninhada na coerência

e logo aturdida por vozes dissonantes

eu não sei se parti ou se foste tu que partiste

mas parece-me que ambos estávamos em fuga de nós mesmos imbricados na vida do outro

que querias tu

se te enovelaste nos teus próprios arquétipos

a ponto de nada admitires para além deles

a não ser

esta geração embrionária de sementes confusas e aleatórias

perdidas na noite e descobertas no dia

não penses que não soube ver

ou  ver-te

e a imagem tornou-se insuportável

aquela todas

as que não consegues ver

porque te sustenta um narcisismo vizinho da demência

 

 

Confusa  

paradoxal

ambulante

e no entanto estática

eis a existenz que para ti moldaste

e nela não  caberá nunca

nem uma célula alheia

porque o teu bafo não permite

 

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