Areias e Pântanos

 

Max Ernst, Sol

 

 

 

AREIAS  E  PÂNTANOS

 

 

 

nem sempre

é preciso ter razão

( nem sempre)

somos arautos de luz

mensageiros de verdades aladas

conspiradores de sonhos fechados

em côncavos lúcidos

de espanto perene

 

 

por vezes

temos o olvido

amarrado na ponta dos dedos

e sem darmos conta

já estamos perto da  saída

onde desaguam todas as certezas

sabemos o caminho

que algures deixamos

no labirinto esculpido

na treva do meio dia

como se um sol urdido na sombra

tivesse ofuscado

a viagem do profeta

nascido em dia de morte

 

 

eu sei

( e tu sabes

nós sabemos enfim)

que outrora planámos

por entre alvoradas

e pouco importa

que tenhamos sido

parcos em sorrisos

( os dentes nem sempre são

promessa de alvura)

e então

urge cintilar

ao rés da fantasia

onde as sombras têm

arco-íris abertos

como asas de triunfo

e a tristeza se funde

em gotas de ternura

 

 

sabemos

(eu soube

tu soubeste)

até que a ignorância chegou

para cegar-te a lucidez

( e a minha

e a deles)

e tudo se derreteu

em terrenos de areias e pântanos

porque é isso a vida

 

Uma resposta to “Areias e Pântanos”

  1. Joaquim Says:

    Por onde andará a razão nesta vida tão efémera?
    Cegos todos nós somos se só olharmos pelo funil da ignorãncia e também sem sonhos a existencia deixa de ter sentido.
     
    Eu sei que ambos sabemos o que falta saber ao mundo…
     
    Com amizade,
    kim

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