Pequenas gotas de orvalho brilhando sobre a relva

 
PEQUENAS GOTAS DE ORVALHO BRILHANDO SOBRE A RELVA
 
 
 
Pequenas gotas de orvalho brilhando sobre a relva
pequenos oásis de frescura no pântano da terra
pequenas luzes fulgindo em planície de sombras
pequenos espelhos luzindo em paredes ruinosas
pequenas incisões de prata na fuligem da cidade
pequenas lágrimas esculpidas na face do medo
 
 
quantos esplendores se ocultam
onde não os vemos
voltados que estamos
sempre de costas
para o grão de beleza
ávidos de espectáculos
gritados à boca das cenas do mundo
cegos para a humílima encarnação
de um átomo redentor
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Pequenas gotas de orvalho brilhando sobre a relva
pequenas sinfonias urdidas numa nota só
pequenos tributos a um deus desconhecido
pequenos círios enaltecendo a escuridão
pequenas iluminuras nas bíblias do olvido
 
 
quantas sílabas ocultas na solidão dos livros
quantas pinceladas ignotas na vastidão das telas
e sempre o vício da grandeza ao encontro do nada
o apogeu do aplauso nas cabeças estéreis
e a suprema queda em abismos de escória
às portas da grandeza
 
Pequenas gotas de orvalho brilhando sobre a relva…
(deixo-vos o mote que pedi emprestado
ao Kenzaburo Oe que não conheceis decerto
mas que me lembrou mesmo agora
o valor do pequeno e a impertinência do grande)

Uma resposta to “Pequenas gotas de orvalho brilhando sobre a relva”

  1. moisés Says:

    Olá,
     
    Grande exemplo de encanto e simplicidade.
     
    Um abraço
     
    Moisés Salgado

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