Nimbos em Catástrofe de Paz

 

 

 

 

 

 

 

NIMBOS EM CATÁSTROFE DE PAZ 

 

 

 

 

 

 

Os nimbos

nos ares gelados

arrastam-se

como sombras

enjaulados

na sua condição

de seres pesados

(esse paradoxo

pois sendo ar

têm  que ser leves

mas sendo forma

ficam pesados) 

e os nimbos arrastam-se

dolentes

por famélicas  sendas

da humana vastidão

(essa

que retiramos sempre

ao infinito

ousando medi-lo

ousando apor-lhe uma norma)

 

 

nimbos escuros

aveludados

progenitores do raio

anunciantes da faísca

prenhes do trovão

(e nem uma folha estremece

no ar rarefeito

de que é feito todo  o mistério)

e os nimbos são cataratas

e luzes

fantasias de ar comprimido 

e nelas me apraz

deleitar-me

como  se fosse

também eu

o átomo do pneuma

(esse elemento inefável

de que talvez  sejamos todos construídos)

não o  disse Anaxímenes

contrariando o mestre

ao ver  que tudo respira

e  que mesmo  a alma

pode ser 

essa corrente aérea

presente em todas as formas

 

 

nimbos

nimbos 

e já os vejo

que se encastelam no oriente

tornando violeta

o mundo em transe

tornando eriçados os  pêlos dos  seres

que arregalam os olhos 

e se dispõem a fugir

pois a catástrofe ameaça

e o nimbo é sinal

de  paz ou de tragédia

consoante a hora

consoante o volume

consoante a cor

 

 

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