Quando a noite desce

 
 
 
 
 
 
Vincent Van Gogh, Noite Estrelada
 
 
 
 
Quando a noite desce
 
 
 
 
Quando a noite desce
feita sudário de melancolia
ou tecida em alva teia de luar
outros  sonhos despontam
na poeira
dos pensamentos soltos no meio dia
 
 
 
Quando  a noite  desce
e ficamos sós
no recôncavo aberto das  memórias
é costume vir a adaga triunfante
romper  a carne 
desenlear os nós
 
 
Quando  a noite  desce
os lobos uivam
ou pelas  enseadas
os vampiros  clamam
em desfilada louca de traição
na tortura dispersa de um olvido
 
 
Quando a noite desce
há um segredo
que murmuramos dentro dos ouvidos
e atiramos fremente para o mundo
como se fossem asas
ou suspiros
 
 
Quando a noite desce
ainda há sol
a dourar lagos e veredas
e voltará na manhã anunciada
e nos dará o fruto
e também a flor
 
 
Quando a noite  desce
só tem trevas
quem  vacila e não acende em si
o manancial  das luzes  ateadas
no incêndio  do ser de que surgiu
 

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