Pablo Neruda

 
 
 
 
 
 
 
(Do filme: O Carteiro de Pablo Neruda)
 
 
 
 
 
O Poço

Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.

Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?

Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.

Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.

Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.

Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.

Pablo Neruda

3 Respostas to “Pablo Neruda”

  1. Alcyone Says:

    Vieja pared del arrabal, tu sombra fue mi compañera. De mi niñez sin esplendor la amiga fue tu madreselva.
    Cuando temblando mi amor primero, con su esperanza besa mi alma, yo junto a vos, pura y feliz, cantaba asi mi primera confesion.
    Madreselvas en flor que me vieron nacer y en la vieja pared sorprendieron mi amor. Tu humilde caricia es como el cariño primero y querido que siento por el.
    Madreselvas en flor que trepandose van, es tu brazo tenaz y dulzon como aquel. Si todos los años tus flores renacen hace que no muera mi primer amor. Pasaron los años y mis desengaños yo vengo a contarte mi vieja pared…
    Asi aprendi que hay que fingir para vivir decentemente, que amor y fe mentiras son y del dolor se rie la gente… Hoy que la vida me ha castigado y me ha enseñado su credo amargo, vieja pared, con emocion me acerco a vos y te digo como ayer.
    Madreselvas en flor que me vieron nacer y en la vieja pared sorprendieron mi amor. Tu humilde caricia es como el cariño primero y sentido que nunca olvide. Madreselvas en flor que trepandose van, es tu abrazo tenaz y dulzon como aquel. Si todos los años tus flores renacen, por que ya no vuelve mi primer amor..?

  2. Alcyone Says:

    Sabe Regina,
    deve dar graças por ter o privilégio de
    eleger quem a lê, porque a sua escrita
    in-comoda…e as pessoas são, em regra,
    como os móveis das nossas habitações:
    no fundo são i-móveis e há os que têm o
    nome de «CÓMODAS»!
    Quem tem convicções e não superstições,
    o que é corrente só pode ficar agradecido!
    Porém, há feridas que nunca cicatrizam, como
    a de «AMFORTAS»!…
    Há que contar com alguém simples e puro…
    que nos d~e a beber do «SANTO GRAAL»!
    Acho que o «SOLITÁRIO de SILS- MARIA»,
    se insurgiu mais contra um WAGNER que aban-
    donava os ideais de 1848 e se rendia às benes-
    ses de uma casta execrável…
    Pode crer que um grande desencanto nem sem-
    pre leva a «VENDER A ALMA AO DIABO»!…
     
     

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