Paisagens da Alma em Suspiros e Risos

 

 

 

 

Cruzeiro Seixas‘A Paisagem Exteriormente / A Paisagem Exterior Mente’
Óleo sobre papel, colado sobre tela
Assinado e datado de ’73’

 

 

 

 

 

Paisagens da Alma em Suspiros e Risos

 

 

 

 

 

 

nas rajadas do vento

nítidas

como emanações profundas

de deuses envergonhados

(por entre os dosséis)

pairam

vultos hesitantes

de esferas outras

(essas e aquelas)

e o olhar turvado

acende-se

na súbita explosão do sol

memória e símbolo

de outros ecos

 

 

madrugadas gloriosos

suspensas ainda

na algidez continuada

de uma espera

anunciam-se

no vigor do turbilhão

(este e aquele)

porque há um hoje

e um ontem

e nunca saberemos dizer

qual deles encobre

o segredo das  tardes

(e da luz e da sombra)

 

um dia

todos veremos o caminho

e ousaremos palmilhá-lo

com sandálias de altitude

e armaduras de cetim

(leves e soltas)

e nascer-nos-ão asas

tardias e breves

como um crepúsculo

ou um toque de brisa

e o vento

saberá cumprir a tarefa rugidora

feito leão bravio

de juba flamejante

(ruiva ao entardecer)

 

 

todos se salvarão

(ressurgidos das tormentas)

e encontrarão

a vereda semeada de papoilas

por onde

(outrora e ainda)

arrastaram passos sangrentos

feitos semente de sortilégio

porque ainda há vento

e as pétalas mágicas

plenas de vastidão

saberão sempre

o caminho secreto

da luz ou do prodígio

 

 

Uma resposta to “Paisagens da Alma em Suspiros e Risos”

  1. Alcyone Says:

     
    SOPRO-VENTO-SPIRITUS-PNEUMA-RUÄH
    NINGUEM SABE DE ONDE VENS NEM PARA
    ONDE VAIS…SOPRAS ONDE QUERES
    QUANDO QUERES E COMO QUERES!…
    DOUTRINA DE ORÍGENES DE ALEXANDRIA
    DISCÍPULO DE AMONNO SAKA E
    CONDISCÍPULO DE PLOTINO
    A «APOKATASTSI» A RESTAURAÇÃO
    FINAL DESCRITA MAGISTRALMENTE
    POR KARL ORFF NA SUA ÚLTIMA OBRA
    «DE TEMPORORUM FINE COMOEDIA»…
     
    PORQUE NINGUÉM NADA SE PERDE
    TUDO É VERDADE E CAMINHO
     

    um dia
    todos veremos o caminho
    e ousaremos palmilhá-lo
    com sandálias de altitude
    e armaduras de cetim
    (leves e soltas)
    e nascer-nos-ão asas
    tardias e breves
    como um crepúsculo
    ou um toque de brisa
    e o vento
    saberá cumprir a tarefa rugidora
    feito leão bravio
    de juba flamejante
    (ruiva ao entardecer)
     
     

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