Eu Não Estou Aí! (I’m Not There)

 

 

 

 

 

 

Os seis actores que deram corpo a um Bob Dylan que não esteve ali

 

 

 

EU NÃO ESTOU AÍ!

 

(I’M NOT THERE)

 

 

Vi o filme apenas uma vez, ainda. Mas sei que é um filme de culto e ficará para a história como a raridade que já é, se bem que não reconhecida ainda, por ser demasiado nova!

Chorei; e o filme não era um melodrama romântico (nem eu costumo chorar em melodramas românticos porque não os  vejo até ao fim!). Quando se escuta a música I Want You de Bob Dylan, já nem sei bem se cantada por ele ou por outro qualquer (como disse, vi o filme apenas uma vez) e aparece Heath Ledger, uma das supostas faces do ícone ( e Bob Dylan mão é um ícone americano apenas, é um símbolo da resistência e do poder da raça humana no seu todo)  as lágrimas brotaram, mas eu senti que era o soluço que ia nascer e que ia derramar-me ali num choro violento, qual catarse de toda a minha vida! Heath Ledger, o actor, vivo ainda, no drama da turbulência conjugal da personagem que representava; e contudo a desempenhar o seu próprio papel, com a morte a acenar-lhe do futuro e a vivê-la já, em frente às câmaras, sem saber que estava a vivê-la! Não é motivo mais que suficiente para desatar a soluçar? E depois o pequeno cantor de 11 anos, um alter-ego infantil de Bob Dylan e Woody Guthrie a um só tempo, ali também, de guitarra em punho, cantando e falando de um tempo que não era o dele – e eu a ver o ícone, também presente na estatura pequenina do jovem Marcus Carl Franklin, na voz ingénua, na pele castanha de negro, na rebeldia latente dos anos da evasão. E é então que surge, uma mulher, Cate Blanchett, e quem nós vemos na tela não tem a beleza feminina que lhe é apanágio, mas o gesto, meio zombeteiro, meio sarcástico, ora bêbado ora drogado, sempre de cigarro ma mão, sempre desengonçado, porque ela é ele e nós convencemo-nos disso! E até um Rinbaud etéreo traz para a tela a dimensão angélica de um ícone alçado às nuvens e vem-nos pela presença do, até há pouco desconhecido, Ben Wishaw, que O Perfume revelou. E também o convertido, o cantor de gospel que Dylan chegou a ser, feito pastor da igreja ou padre, nos traz a imagem de um mito pelo corpo e pela voz de Christian Bale e ainda o velho cowboy, enigmático e arredio, um Billy the Kid de rosto desfeito devolve-nos uma nuance imprevista, num Richard Gere alheado de si mesmo e convertido ao mito. Mas, já o disse, ainda só vi o filme uma vez, tanta densidade não se retém em 135 minutos de vórtice em que seis são Um – o ícone – para nenhum O ser, de facto… Que querem mais de um filme, senhores críticos, para assim lhe sonegarem estrelas?

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