Desolation Row

 
 
 
The Fall of the Rebel Angels by Peter Breughel the Elder
 
 
 
DESOLATION ROW (A ESQUINA DA DESOLAÇÃO?)
 
Bob Dylan 1965, EUA, poeta surrealista, imagem de conflito, mito, ocasião de desprezo e motivo de idolatria, perseguido pelos media, escapando do estereótipo, cantando de modo intimista, com esgares em vez de sorrisos, muito jovem e contudo detentor do espírito do momento, já pasto das rugas, com o esgar cada vez mais marcado e a pele do rosto pendente, desfigurando os seus próprios hinos e no entanto sempre presente há mais de 40 anos, indiferente ao aplauso, ao público, ao rótulo, e contudo sempre ali! Se acaso conhecerem no nosso tempo outro fenómeno de longevidade a todos os níveis, de versatilidade e de poder, de pertinácia no talento e na contínua auto-remodelação e consequente auto-destruição, de autêntico e poderoso fenómeno de anti-vedetismo, rouco e sibilino e contudo extraordinário porque sabemos que, se ele quisesse agradar cantava bem , mas não quer, porque agradar não é a função do artista, porque ser artista é condição, se acaso conhecerem outro do qual possa dizer-se tudo isto e muito mais que não poderia desvelar por ignorância, digam-mo porque eu não sei!
Desolation Row ou Fila da Desolação, espécie de galeria dramática de uma América convulsionada nas crises dos mísseis de Cuba e na guerra fria, mas muito mais do que isso pois é a um desfile paradoxal a que o poeta nos conduz enviando-nos para uma espécie de caverna desolada e fria na qual nenhum ícone subsiste. Cinderela e Bette Davis, Romeu, Caim e Abel, o Corcunda de Notre-Dame, o Bom Samaritano, Ofélia, Noé, Einstein e Robin Hood, o Fantasma da Ópera, Casanova, Nero e Neptuno, Titanic, Ezra Pound e T. S. Eliot, é todo um desfile de figuras onde o imaginário se entrecruza com o real num quadro surrealista se notarmos bem que o surrealismo é a figuração mais perfeita da realidade.
Desolation Row ou o Holocausto ou o Fim do Mundo e o Apocalipse ou este mundo em que nos movemos todos nós e Bob Dylan, em 1965, de pele fresca e olhos cintilantes,  em 2008 de rugas marcadas e olhos semicerrados e nós também, aqui, neste território minúsculo que engrandecemos com paalvras e diminuímos com gestos e com outras palavras, Desolation Row pode ser escrita e ouvida em inglês ou vertida para a nossa língua e será sempre um hino apostrófico e iconoclasta onde tudo se mistura, desvirtua e aglutina por debaixo do céu, em pleno sol ou com a lua escondida por detrás de cortinas, ou nos ares limpos e escancarados, Desolation Row de Steinbeck ou de Saramago ou de Kerouac ou de José Afonso, que os rituais do espírito e da carne entrecruzam-se sempre apesar da necessidade intelectual de os rompermos aqui e ali num esforço inútil e desesperado semelhante à mais pura esquizofrenia. Não vale a pena tentarmos compreender, com o entendimento de Bob Dylan em 1965, as palavras de Desolation Row; ele própria nos ludibria continuamente pois já não a canta como cantou já não a diz  como outrora a disse e basta ver e ouvir para notar a diferença! Mas que existe uma Desolation Row, Esquina da Desolação, Travessa da Desolação, Fila da Desolação, Mundo da Desolação ou o quer que queiram que seja este nosso inferno  tecido em cores risonhas e contudo permanecendo sombrio aí estamos todos nós Cinderelas ou Einsteins Fantasmas da Ópera ou Bons Samaritanos  e sempre e sobretudo Cains e Abeis que outra coisa não sabemos ser desde o início dos tempos.

 
 
 
 
They’re selling postcards of the hanging
They’re painting the passports brown
The beauty parlor is filled with sailors
The circus is in town
Here comes the blind commissioner
They’ve got him in a trance
One hand is tied to the tight-rope walker
The other is in his pants
And the riot squad they’re restless
They need somewhere to go
As Lady and I look out tonight
From Desolation Row

Cinderella, she seems so easy
"It takes one to know one," she smiles
And puts her hands in her back pockets
Bette Davis style
And in comes Romeo, he’s moaning
"You Belong to Me I Believe"
And someone says," You’re in the wrong place, my friend
You better leave"
And the only sound that’s left
After the ambulances go
Is Cinderella sweeping up
On Desolation Row

Now the moon is almost hidden
The stars are beginning to hide
The fortunetelling lady
Has even taken all her things inside
All except for Cain and Abel
And the hunchback of Notre Dame
Everybody is making love
Or else expecting rain
And the Good Samaritan, he’s dressing
He’s getting ready for the show
He’s going to the carnival tonight
On Desolation Row

Now Ophelia, she’s ‘neath the window
For her I feel so afraid
On her twenty-second birthday
She already is an old maid

To her, death is quite romantic
She wears an iron vest
Her profession’s her religion
Her sin is her lifelessness
And though her eyes are fixed upon
Noah’s great rainbow
She spends her time peeking
Into Desolation Row

Einstein, disguised as Robin Hood
With his memories in a trunk
Passed this way an hour ago
With his friend, a jealous monk
He looked so immaculately frightful
As he bummed a cigarette
Then he went off sniffing drainpipes
And reciting the alphabet
Now you would not think to look at him
But he was famous long ago
For playing the electric violin
On Desolation Row

Dr. Filth, he keeps his world
Inside of a leather cup
But all his sexless patients
They’re trying to blow it up
Now his nurse, some local loser
She’s in charge of the cyanide hole
And she also keeps the cards that read
"Have Mercy on His Soul"
They all play on penny whistles
You can hear them blow
If you lean your head out far enough
From Desolation Row

Across the street they’ve nailed the curtains
They’re getting ready for the feast
The Phantom of the Opera
A perfect image of a priest
They’re spoonfeeding Casanova
To get him to feel more assured
Then they’ll kill him with self-confidence
After poisoning him with words

And the Phantom’s shouting to skinny girls
"Get Outa Here If You Don’t Know
Casanova is just being punished for going
To Desolation Row"

Now at midnight all the agents
And the superhuman crew
Come out and round up everyone
That knows more than they do
Then they bring them to the factory
Where the heart-attack machine
Is strapped across their shoulders
And then the kerosene
Is brought down from the castles
By insurance men who go
Check to see that nobody is escaping
To Desolation Row

Praise be to Nero’s Neptune
The Titanic sails at dawn
And everybody’s shouting
"Which Side Are You On?"
And Ezra Pound and T. S. Eliot
Fighting in the captain’s tower
While calypso singers laugh at them
And fishermen hold flowers
Between the windows of the sea
Where lovely mermaids flow
And nobody has to think too much
About Desolation Row

Yes, I received your letter yesterday
(About the time the door knob broke)
When you asked how I was doing
Was that some kind of joke?
All these people that you mention
Yes, I know them, they’re quite lame
I had to rearrange their faces
And give them all another name
Right now I can’t read too good
Don’t send me no more letters no
Not unless you mail them
From Desolation Row


Copyright © 1965; renewed 1993 Special Rider Music

 
 

 
 
 
 
 

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