Urgindo Promessas

 
 
 
 
URGINDO PROMESSAS
 
 
 
 
 
 
Uma seiva escura
polifera ácida
nos ventres acuados
dos mendigos trôpegos
arrostados em lume
nas sombras do meio dia
quando o luar  despojou
suas vestes marfínicas
e uma corrente púrpura
esgazeada e dúctil 
fez-se aquele oceano
outrora esvaído
 
 
 
O rei lançou
um estribilho de escárneo
porque os seus vassalos
haviam transportado
o trono falso para longe da bruma
e entretanto voou
o segredo das sombras
entre gélidos mantos
de cristalina poalha
 
 
Só ficou a pomba
entre desvairadas reses
só restou a cinza
entre ruínas de arcadas
só se viu o gume
de espadas ferrugentas
só se ouviu o gemido
das sinfonias breves
 
 
E quando o profeta
partiu da montanha
ainda havia tumulto
na raiz do vale
e então o crepúsculo
encomendou a noite
urgindo promessas
de solidão e treva  

Uma resposta to “Urgindo Promessas”

  1. Alcyone Says:

     

    XII. PRECE  
    Senhor, a noite veio e a alma é vil.  Tanta foi a tormenta e a vontade!  Restam-nos hoje, no silêncio hostil,  O mar universal e a saudade. 
    Mas a chama, que a vida em nós criou,  Se ainda há vida ainda não é finda.  O frio morto em cinzas a ocultou:  A mão do vento pode erguê-la ainda. 
    Dá o sopro, a aragem — ou desgraça ou ânsia —   Com que a chama do esforço se remoça,  E outra vez conquistaremos a Distância —  Do mar ou outra, mas que seja nossa!
     

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