Triunfo da Luz

 
 
 
 
 
 
René Magritte, Belo Mundo, 1962
 
«Serviu-se da sua prisão para poder fugir.» (Scutenaire, Mes Inscriptions )
 
 
 

 
 
 
 
TRIUNFO DA LUZ

 
 
 
 
 
Será luz
 será sombra
 será o tempo intermédio
 o limbo da verdade
 o sacrifício da treva
 anúncio da explosão do ser?
 
 
Serão lágrimas
 ou pingos de chuva
 perdidos
 nas avenidas lustrosas do dia
  chuva e lágrimas
 e logo torrente
 nos caminhos íntimos
 nas estradas sinuosas
 do mundo submerso
 e também
 nos cumes sombrios
 onde a água se transmuta em gelo
 feito brilhante sudário
 de melancolia nocturna?
 
 
Mas logo o gelo derrete
 e das franjas nevadas
 escorrerão gotas de oiro
 e a transmudação
far-se-á de novo
em suaves euforias
de cânticos estivais!
 
 
 
Por detrás das serras
 para além das nuvens
 no centro das intempéries
o olho solar esplende e rejubila
na apoteose metafórica do seu brilho
esperando que a nuvem derreta a névoa
e o dia conheça o triunfo da luz!

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