A Poética da Imagem

 
 
 
 
 
 
 
Regina Sardoeira, Recriação a Partir de uma Serigrafia de Cruzeiro Seixas, Óleo s/ tela
 
 
 
 
 
A POÉTICA DA IMAGEM
 
 
A imagem pende soberana no arquétipo do nosso sonhar
desenrola-se em finas camadas de luz crepuscular
e ao levantarmos as dobras do mar sereno
ouvimos cascatas
melodias enfim
sonoras gargalhadas
ou talvez desfraldemos bandeiras de vitórias efémeras
enquanto a lua engendra
pedaços mortiços de luar obscuro
e uma terra grávida
parece querer desenhar passos de saltimbanco
em território devastado
e eu soube
sempre soube
que as arcadas do palácio pendiam
nos gonzos envelhecidos de qualquer batente arruinado
gelosia ou parapeito
do sonho para sempre oculto
enquanto por detrás do voo infantil de uma ave
ou mais para a frente
a lua chorava sua ânsia crescente
e talvez um ou dois vagabundos quisessem triunfar
amarrando cordas aos braços desvelados
por entre um fato de arlequim
e através de golpes certeiros
puderam resignar-se
por fim
ao silêncio

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