Catástrofes

 
 
 
 
 
GOYA, PRISÃO INTERIOR
 
 
 
 
 
 
Paira na atmosfera um ruído de catástrofe (ou talvez não seja atmosfera a palavra certa a atmosfera é inocente alheia às catástrofes urdidas na consciência dos homens e projectadas quais nuvens pesadas de discórdia para os ares afeitos a turbulências controladas logo apaziguadas na dialéctica contínua do devir)O homem essa consciência erguida num triunfo ilusório crê dominar o movimento e a paragem dos astros que o envolvem e dos quais se nutre ( contudo nada pode dominar ou conter nada pode aprisionar ou deter) Homem sinal de poder (mas também de treva) sinal de audácia (mas também de medo) criador de sementes (e destruidor da morada) vigiando e temendo desfrutando e perdendo e nunca dominando sempre ao engano (cultivando ilusões empenhando sonhos) A catástrofe adiada nas alvoradas róseas perdida nos poentes violáceos a catástrofe detém-se (e há cantos e risos soltados nas sombras urdidos nos ventos do tributo ao luar ou à euforia dos olhos ao prodígio do sol) E enquanto o olvido penetra o negrume (ou se atira rendido aos oceanos da luz) o homem emerge de novo coroado na síntese do ser e crê-se Deus até que a catástrofe do cinzento e da dúvida se levanta em cruz e pesa outra vez (como se houvesse dela um ruído uma sombra)

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