PANEGÍRICO

 
 
 
 
 
 
 
 
PANEGÍRICO
 
 
 
 
 
 
 
 
o mundo
(aos ombros da vida)
 em cascatas e trovões
de súbita expansão
foragidos da aventura
expatriados do nada
e contudo nítidos
(quais cristais)
em esplendor de inverno
quando irrompem das dunas
os segredos e os mitos
 
eu vi-te
(oh se vi)
e por entre a cortina
cerrada
sobre os teus olhos líquidos
ouvi a torrente da alma
que deixavas sair
 
 
 
oh acredita
mais ninguém viu
ou ouviu
(todos surdos e cegos)
e a tua voz fechava-se
na concha de um olvido
e era
o sortilégio do fundo
a mostrar a raiz
 
 
 
Ouve
por momentos
o ar que aspiraste
foi ainda o meu
por momentos
a tua energia flutuou
à volta de mim
e eu soube
que és ainda a promessa  
e da sombra veio
em passos delicados
o segredo da voz
(cava e profunda)
escondida em sinfonia
oculta dos outros
 
 
 
mas eu ouvi
eu sei
ah como dizer
(ou dizer-te
a ti )
que me passaste um sopro
de infinito e tragédia
porque não há pontes
(nem destinos
nem rotas)

Uma resposta to “PANEGÍRICO”

  1. Joaquim Says:

    Ou a Vida ás cavalitas do mundo
     
    Olá Regina!

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