Estranho Mundo

 

 

 

 

 

Red Grooms, Cedar Bar

 

 

 

ESTRANHO MUNDO

 

 

 

Estranho mundo

estranho

ruas descascadas

pela agonia tépida

(dos pés e do tempo)

os pés e o tempo

dos homens e do mundo

florestas despojadas

de todos os ramos

(e logo submersas

no   visco da procura)

e estranho

sempre estranho

mundo de paradoxos

(feito angústia)

vertido em vasos de lírios

quando o sol resgata a madrugada

e os leões levantam a juba arrepiada

e todos estranhos

(homens e bestas)

mundo estranho

na euforia morna

dos risos sem cor

na loucura barata

de um arraial de feira nos subúrbios

infectados de rumor

(e gáudio

e  troça)

estranho vozear

do mundo estranho

por onde estrondeiam

salpicos de chuva

em verões de poeira

(e logo alucinantes)

quais meteoros rasando a orla do poente

cantam triunfos

que não sabem

(que não tinham)

e bramem

estranhos lamentos

mundo estranho

outrora vazio

e logo assaltado

por uma espécie rara

de ladrões vibráteis

(encapuzados e nus)

pelas noites fulgurantes

em que a lua despeja

ondas e sussurros

bátegas estranhas

(de olvido e miséria)

neste estranho mundo

feito estranha meta

de loucura e bombas

 

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