PÉROLAS

 

Las Meninas, Velasquez

 

 

PÉROLAS

 

 

São pérolas

e orvalhadas debruam as orlas dos caminhos

feitas  pequenas cintilações

por onde esvoaçam ternuras súbitas

cansaços de outrora

e todo o sentido delas se perdeu

(como se não houvesse pontes entre abismos

e tudo fosse um rio

marcado por inesperadas correntes de treva sanguinária)

e as pérolas cedo esvaziaram o seu teor de brilho

em alucinações fragrantes de outros universos

e todos ouvimos falar desse precipício

(aniquilado na raiz do ser)

e contudo gemendo hinos

em aparição súbita de vozes e de ecos

(e eu nunca soube

se foram as pérolas que trouxeram a chuva

ou se havia prisioneiros engolidos nas cavernas

roubadas ao firmamento árido)

e o meio das estrelas abriu um vazio de catástrofe

feito redundante arco-íris

de gelo e vento

(nenhuma pessoa

porém

habitou o crepúsculo doirado

esvaziado da ternura do dia)

e nem um grito ou sussurro

penetrou a espuma do silêncio

(majestoso e orlado de subtis exclamações

distantes do ouvido

e logo tidas como não sendo

o porta-voz pressentido 

do infinito)

Uma resposta to “PÉROLAS”

  1. Alcyone Says:

     
    A «PÉROLA» ÉS TU MINHA QUERIDA!
     
    TUDO O RESTO É ILUSÃO!…PASSATEMPO, MORTO NA RAIZ DA «FILOSOFIA PRIMEIRA»!
     
    BEIJOS DO DESTERRADO…
     
     

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: