O tempo

 

GOYA, Cronos Devorando Os Seus Filhos

 

 

 

O TEMPO

 

 

 

Efémero

o tempo

 inscrito em pequeninos registos

por onde esvoaçam cifras

( isso mesmo cifras)

insignificantes tracinhos de nada

com que espartilhamos a vida

e matamos o ser

o tempo

essa metáfora dos sentidos

arquivada em relógios

(feitos guardiões do espaço)

marcando as linhas onde se cruzam

(e entrecruzam) 

meteoros cintilantes de qualquer atmosfera

desencravada da colisão atroante dos gritos humanos

ah o tempo

 efémera passagem de nada para nada

e os traços de todos os arquivos

roídos por ratos

(pertinazes e atentos)

esses que vasculham os segredos

 e trazem

pendurada no lume do olhar 

a argúcia da eternidade

ah o tempo

efémero todo ele efémero

rasgado e atirado à lava dos vulcões

feito pequenino acidente de coisa nenhuma

e no entanto servindo para o desfrute

de vidas amordaçadas

(e logo libertas para o vazio onde nada as alimenta e contudo vivem) 

no tempo

esse devorador sem dentes

amodorrado

na quietude baça de muitos cronómetros

(todos eles marcando horas diferentes)

que diferentes são os tempos

os homens

e os mundos

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