Urgindo Promessas

 

 

 

Francisco de Goya, Saturno devorando seus Filhos

 

 

URGINDO PROMESSAS

Uma seiva escura
prolifera ácida
nos ventres acuados
dos mendigos trôpegos
arrostados em lume
nas sombras do meio dia
quando o luar despojou
suas vestes marfínicas
e uma corrente púrpura
esgazeada e dúctil
fez-se aquele oceano
outrora esvaído

o rei lançou
um estribilho de escárnio
porque os seus vassalos
haviam transportado
o trono falso para longe da bruma
e entretanto voou
o segredo das sombras
entre gélidos mantos
de cristalina poalha

só ficou a pomba
entre desvairadas reses
só restou a cinza
entre ruínas de arcadas
só se viu o gume
de espadas ferrugentas
só se ouviu o gemido
das sinfonias breves 

e quando o profeta
partiu da montanha
ainda havia tumulto
na raiz do vale
e então o crepúsculo
encomendou a noite
urgindo promessas
de solidão e treva

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