Ignomínia

 
 
 
 

Salvador Dalí, El Cristo de San Juan de la Cruz (1951)

 
 
 
 
 
IGNOMÍNIA
 
 
 
perdida
a poesia ruge nas cavernas do ser
espancada
pela correia férrea do dever
pelo holocausto da razão
embrulhada em cifras
no prosaísmo irremissível
das regras e das ordens dos outros
 
 
treme o poeta na sombra
de onde ergue a cerviz
dobrada ao peso da cruz 
essa metáfora de maldição e reza
essa ignomínia
feita adorno 
ou amuleto
 
e percebe
maravilhado e perplexo
que os caudais da beleza
resistem
fluindo coleantes
na esteira de um sonho
apesar da bruma
apesar da discórdia
apesar do medo
 
 

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