TOQUES

 
 
Magritte, As Férias de Hegel
 
 
 
 
TOQUES
 
 
 
 
 
Toques de beleza
perpassam
nas pálpebras acesas
em letargia vaga
e não saberia dizer
porque são toques e vagos
esses lampejos
de uma réstia do tempo
ainda aberta
ainda viva 
são fortuitos
leves
mas têm
a persistência indomável da existência
mesmo coberta de mantos de incerteza
mesmo oculta em temporais de mágoa
 
 
Toques de beleza
por entre a poeira viva
de estrelas esparsas
no veludo sombrio
da noite emergente
mas sombrio de sombra
que não de dor 
sombrio
do hálito do tempo
esse
que se escoa vivo
em cada madrugada
para romper a teia
de mistérios e sonhos
 
Toques de beleza
a recordar a chama
escondida em redomas de cristal inviolável
redomas ungidas
em bálsamos excelsos
esses
que um dia
os deuses deixaram nas mãos dos homens
e ora esquecidos
ora aspergidos
em torrentes vibrantes
por aí ficaram
 
Toques de beleza
toques de orvalho
toques de bruma
toques de cítara 
pequenos ornamentos
de verdade e luz
pequenas faíscas
de um incêndio vasto
urdido nas cumeadas do ser virginal
pequenas razões
para a razão maior
pequenas virtudes
e outros tantos sonhos

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