Sabes?

 
SABES?
 
 
 
 
Sabes?
Houve um tempo de entrega
capaz de engendrar novos mundos
(dos mundos que havia)
um tempo
original e mítico
onde os milagres pareciam esplender
em  cada átomo iluminado
de promessas firmadas
em sangue e em luz
 
 
Sabes?
Ainda vejo
a aura desse mundo
ainda sinto a tremura da lágrima
no gume do olhar
ainda oiço
o guizalhar dos sinos
em madrugada inquieta
e tremendo de frio
encrespo-me
no calor suave
(das carícias)
 
 
Sabes?
Há um diálogo cativo
nas arenas da linguagem
um diálogo
(de sons e palavras perdidas)
um diálogo
que urge romper a cratera
um diálogo vivo
amordaçado em dor
 
 
Sabes?
Tu foste
o outro lado das palavras
o outro lado do mundo
o outro lado da seiva
(escorrendo em cetins lustrosos)
o outro lado do ser
encontrado na sombra
oculto na luz em primaveras nubladas
 
 
Sabes?
Retirei os pontos
as vírgulas
(e os pontos e vírgulas)
só deixei
a interrogação do apelo
como marca e sinal
de uma urgência viva
de resposta

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