Um Átomo de Silêncio

 
 
 
 ZANQ JING SHENQ
 
 
 
 
UM ÁTOMO DE SILÊNCIO
 
 
 
 
Um átomo de silêncio atapetou a sombra do dia feito única alteração na suavidade primaveril do inverno em olvido
havia um pequeno regato murmurando nas áleas sucumbidas do jardim de outrora
e enquanto as palavras rasavam a corrente
uma gota de tremura pálida e enquistada nas solenes lucubrações do prenúncio
antegozava esplendores pressentidos  e logo afogados em nevoeiro lácteo
 
Bem sei que deitámos outrora pó e areia sobre  promessas de deleites múltiplos
e não eram apenas os sentidos
que assim fruíam dos delírios ocultos nos interstícios apaziguados das epidermes vibráteis
mas a tessitura íntima do sonho e do sono
a lassidão primeva do despertar ridente
 
Um átomo de silêncio devorou a promessa angustiada do convite ao diálogo
e a palavra emergente estrangulou-se na caverna
onde os corvos derreteram em amargor desmaiado
a cultura das trevas feita premonição de angústia atirada ao acaso
em rescendente outono que a primavera abriu aos pastos do inverno

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