Diógenes, O Cínico

       

 

Diógenes, de John William Waterhouse, mostrando a sua lâmpada, o seu barril e as cebolas das quais se nutria.

 

         Diógenes de Sínope, em grego antigo "Διογένης Σινωπεύς" (c. 413 a.C., Sinop, hoje na Turquia – c. 323 a.C., Corinto), foi um filósofo grego e talvez o maior representante do Cinismo. Essa escola filosófica foi fundada por Antístenes de Atenas, que fora discípulo de Sócrates e mestre de Diógenes.

         Segundo Diógenes Laércio, a morte de Diógenes ocorreu no mesmo dia em que Alexandre, o Grande, morreu na Babilónia. Outra lenda conta que Sócrates morreu no dia em que Diógenes nasceu.

         Segundo a tradição, Diógenes vivia a deambular pelas ruas na mais completa miséria até que um dia foi aprisionado por piratas para, posteriormente, ser vendido como escravo. Um homem com boa educação chamado Xeníades  comprou-o. De imediato, pôde constatar a inteligência do seu novo escravo e confiou-lhe tanto a administração dos seus bens quanto a educação dos seus filhos.

         Diógenes levou ao extremo os preceitos cínicos de seu mestre Antístenes. Foi o exemplo vivo que perpetuou a indiferença cínica perante o mundo. Desprezava a opinião pública e parece ter vivido numa pipa ou barril. Os  seus únicos bens eram um alforge, um bastão e uma tigela (que simbolizavam o desapego e auto-suficiência perante o mundo),  ficando conhecido como o filósofo que vivia como um cão.

         A felicidade – entendida como autodomínio e liberdade – era a verdadeira realização de uma vida. A sua filosofia combatia o prazer, o desejo e a luxúria pois isto impedia a auto-suficiência. A virtude – como em Aristóteles – deveria ser praticada e isto era mais importante que as teorias sobre a virtude.

         Diógenes é tido como o primeiro homem a afirmar, "Sou uma criatura do mundo (cosmos), e não de um estado ou uma cidade (polis) particular", manifestando assim um cosmopolitismo relativamente raro no seu tempo.

         Diógenes parece ter escrito tragédias ilustrativas da condição humana e também uma República que teria influenciado Zenão de Cítio, fundador do estoicismo. De facto, a influência cínica sobre o estoicismo é bastante saliente.

         Provavelmente, Diógenes foi o mais folclórico dos filósofos. São inúmeras as histórias que se contavam sobre ele, já na Antiguidade. É famosa, por exemplo, a história de que  saía em plena luz do dia com uma lanterna acesa, procurando por homens verdadeiros (ou seja, homens auto-suficientes e virtuosos). Igualmente famosa é a sua história com Alexandre, o Grande, que, ao encontrá-lo, ter-lhe-ia perguntado o que poderia fazer por ele. Acontece que devido à posição em que se encontrava, Alexandre fazia-lhe sombra. Diógenes, então, olhando para o Sol, disse: "Não me tires o que não me podes dar!" (variante: "deixa-me estar ao meu sol"). Essa resposta impressionou vivamente Alexandre, que, na volta, ouvindo os seus oficiais zombarem de Diógenes, disse: "Se eu não fosse Alexandre, queria ser Diógenes." Outra história famosa é a de que, tendo sido repreendido por estar a masturbar-se em público, simplesmente exclamou: "Oh! Mas que pena que não se possa viver apenas esfregando a barriga!" Diz-se que um dia Diógenes foi visto a pedir esmola a uma estátua. Perguntaram-lhe o motivo de tal conduta e ele respondeu "por dois motivos: primeiro é que ela é cega e não me vê, e segundo é que eu me acostumo a não receber nada  de alguém e  a não depender de ninguém."

          Em parte por causa de seu comportamento escandaloso, os escritos de Diógenes caíram no quase total esquecimento. Com efeito, a politeia (a República) escrita por Diógenes, remenda e apoia-se mais tarde na politeia de Zenão (um estóico), ataca numerosos valores do mundo grego, preconizando, entre outros, a antropofagia, a liberdade sexual total, a indiferença à sepultura, a igualdade entre homens e mulheres, a negação do sagrado, a supressão das armas e da moeda e o repúdio à arrecadação em prol da cidade e das suas leis. Por outro lado, Diógenes considerava o amor como sendo absurdo: ninguém deve apegar-se a outra pessoa. Por muitas destas razões Diógenes de Sínope é considerado um precursor do Anarquismo no período clássico.

         Certos estóicos, portanto próximos da corrente cínica de Diógenes, parecem ter preferido dissimular e esquecer essa herança julgada «embaraçosa».

 

(Fonte:http://pt.wikipedia.org/)

 

Uma resposta to “Diógenes, O Cínico”

  1. JOSÉ Says:

    Cara amiga e parente Regina:Para já que tenhas um bom ano de 2009. Continuo a seguir-te com toda a atenção e estima. Não fosse a necessidade do "vil metal" para sobreviver, nada me traria para longe do meu rincào natal e dos meus amigos de que tens um lugar priveligiado.A tua luta, a nossa luta, continua intemporal e quais D. Quichotes dos novos tempos, continuaremos, cada um da sua forma, a lutar por uma vida melhor e um lugar ao sol que não seja só de alguns poucos que se escoram na moeda para se sobrepor.Um abraço amigo e continua, que embora te parece solitária, a tua luta continua activa e cuscada cá de longe por muitos que te apoiam. Zé Sardoeira "jarsardoeira@hotmail.com"

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