Colapsos

 
 
 
COLAPSOS
 
 
 
 
Sim até parece que o amor pode procurar-se e não apenas encontrar-se e talvez nem  isso seja quando nos parece ver a sua luz esplendente num qualquer oásis inventado
(pobre humanidade em ressaca constante de sonhos adiados pobre animal consciente caminhando nas trevas vendo na luz o que só a sombra revela e contudo acendendo velas luminárias fogos de artífício neons para expulsar a insipedez lúgubre do pensamento perdido na insónia terrificante)
Ah o  homem e o simulacro de sentimentos nobres mascarados em interesses de deleite próprio nunca abrindo a mão para dar mas fechando-a sempre nos amplexos viciados de um prazer mais que egoísta
(não o amor não se procura nasce das entranhas sombrias do corpo e da mente extravasa pelas planícies ardentes do ser e da vida encontra-se na turgidez de um gesto ou na largura de um mar encapelado)
O amor dos homens pequenino e contrafeito desconfiado e timorato dando e retirando na promiscuidade de alusões atiradas por aqui e por acolá urdido na metáfora de um vazio que nenhuma palavra oculta
(Eu vejo essas palavras pútridas lançadas nas páginas torcidas palavras roubadas todas elas roubadas aos verdadeiros poetas que em si tangeram as liras da verdade e não souberam guardá-las apenas para si e agora os outros agarram na seiva derramada desses pedaços de vida e misturam-na com a sua pobre miséria florida de cardos secos e o que nasce é uma horrível excrecência de solidões paupérrimas)
 E nunca dizem a verdade do que são mascaram-se e mascaram-se e mascaram-se e parecem belos quando são apenas a efígie torcida de um simulacro de gente vendida todos vendidos nas arenas polutas de um mundo à beira do colapso onde eles próprios estertoram iludindo a convulsão com arrebiques perversos da mentira que são
(em colapso verdadeiramente em colapso em colapso em colapso latinistas degenerados enormes fraudes de poesia e romance em colapso de si para dentro de si e apesar de tudo expondo a ruína como se pudesse ser algo mais do que o próprio colapso ou o lapso de uma vida que nunca foi e já não é)

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