Senilidade XIX versus Juvenilidade I

SENILIDADE XIX versus JUVENILIDADE I
 
         Comunicar é uma prerrogativa humana de extrema importância, tanto mais que comunicamos com palavras, com imagens, com gestos, com omissões, com silêncios (…) e, se bem que o restante mundo animal o faça também, não creio que a sua riqueza e profundidade atinjam os patamares outorgados ao homem.
        A imagem e o texto que se seguem constam de um blogue, cujo endereço assinalarei no final; e, se os transcrevo para esta minha página, é na exacta medida em que pretendo dar um exemplo do acto comunicativo, feito de uma imagem e de algumas palavras,cujo sentido terá escapado à maioria dos leitores mas que, pelo que me diz respeito, foi de uma óbvia clareza. Alguém perguntou, no «comentário» adicionado ao texto e à imagem desse blogue: «Já agora…a foto….é onde?» ; eu não sei se a curiosidade da leitora foi satisfeita, mas eu respondo, porque conheço esta imagem, pormenor a pormenor: «É Amarante, minha senhora, a cidade onde nasci e habito! É Amarante, minha senhora, a cidade para onde o autor do blogue se mudou, quando era meu amigo, e por via dessa amizade!» E o texto que serve de legenda à bela fotografia de Amarante, é-me dirigido, palavra a palavra… Por isso, lhe devolvi, como comentário, um poema de resposta, pois entendi todos os apelos e advertências implícitos no poema dele e quis fazê-lo entender que a mensagem tinha passado.
         Isto chama-se comunicar, não lhes parece?
         O poeta desse blogue, porém, ressabiado ou temeroso de que os outros leitores e leitoras compreendessem o óbvio, eliminou o meu poema/comentário, cortando a comunicação!
         Bem sei que este incidente tem uma importância mínima, na vastidão incomensurável dos actos comunicativos honestos, bem intencionados, frontais, verdadeiros, em suma! Bem sei que não vale muito a pena perder tempo com manobras de ilusionista, com declarações óbvias, seguidas de ocultação de intenções. Bem sei que ,provavelmente, os meus leitores serão outros e então o que pretendo comunicar não passará na íntegra para aqueles a quem se destina ou que, mesmo passando, eles lhe acrescentarão outras intenções: porque interpretar é isso mesmo, e também disso vive o acto comunicativo.  Porém, eu sofro de uma síndrome peculiar: sinto uma necessidade violenta de verdade e de justiça, gosto de repor palavras e gestos nos sítios adequados e se, de um lado, se oculta o que parece incómodo, do outro mostrar-se-á o todo, que de incómodo só tem o que a sinuosidade de mentes anquilosadas lhe acrescenta ou lhe retira.
         Eis aqui, então, a fotografia de Amarante e o poema dirigidos, na íntegra, a esta habitante da cidade do Rio Tâmega, que sou eu:
 
 
 
 

Senilidade

XIX

 

 

 

 

Lembra-te de mim quando o sono te chamar

E pede-me que te faça companhia

Outra que a das imagens gastas da fobia

Em que alguns se refugiam

Por receio da luz do dia.

Pede-me que te faça companhia

Outra que a interesseira ou a da mentira

Com que se tecem as teias da loucura

Que minam a autêntica empatia.

Pede-me que te faça companhia

E se eu merecer a tua e tu a minha

Os equívocos serão uma ninharia

Se a alma for sincera e a espontaneidade genuína.

 

in  http://moises-salgado-poesia.spaces.live.com/

 

 

 

 

JUVENILIDADE

I

 

 

Lembro-me de ti quando o sono me chama

E o ar à minha volta está mudo de palavras

Peço-te que me faças companhia

Sem litanias da solidão que não tenho

(Não guardo imagens gastas de fobia

Que a fobia é estranha ao meu sentir)

E a luz do dia entra pelas janelas

Sem receios velados ou expostos

 

Peço-te que me faças companhia

(E retira interesses ou mentiras

Do tecido espúrio da loucura

Que não empana o brilho do meu ser)

E a empatia surgirá ridente

Porque sempre esteve no poço dos segredos

 

Peço-te que me faças companhia

Os equívocos nasceram e vingaram

Na urdidura risível dos fantasmas

Que nada sabem dos fluidos da presença

(E eu quis experimentá-la e demonstrar-ta

Para que visses sem palas a verdade)

A alma é sincera e genuína

E não verga à torpeza do banal

Nem cede aos desígnios da mentira

(A ponte e o rio são serenas testemunhas

Do sonho que nasceu e se fez vida.)

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: