Cobras e Vírus

    
COBRAS E VÍRUS
 
 
 
 
 
          A fotografia escolhida para servir de imagem elucidativa de um  texto intitulado «Quanto a Epidemias» e ostentada no blogue, cujo endereço apresento no final, é, como parece óbvio, uma espécie de cobra, animal injustamente considerado mau e venenoso pelo homem (não há maldade nem bondade no mundo animal e o veneno não passa de uma arma natural, à semelhança das caçadeiras e bombas que os humanos construíram para se defenderem ou atacarem, dada a sua fragilidade constitucional). A cobra, para o autor, representa assim, o Mal e o Veneno, que ele julga estar presente nos comentários e reflexões de todos aqueles que lhe lêem os textos e, em lugar de o bajularem, como ele gosta (vaidoso que é), lhe fazem críticas oportunas ou lhe apresentam sugestões adequadas. É evidente que ele tem a liberdade de ignorar as críticas e rejeitar as sugestões: é um vaidoso, já disse, e os vaidosos só contemplam o seu ego; porém, não tem provavelmente o direito de estabelecer paralelismos deste teor onde insulta as cobras, em primeiro lugar, para insultar quem ele considera semelhante a elas (apenas porque não usa a bajulação como critério de análise ou como motivo para o comentário.) O texto que segue, corolário da cobra em imagem, nada tem a ver com o animal rastejante tão humilhado pelo terror pusilânime dos homens; contudo transcrevê-lo-ei:
 
«Há gente que se comporta como vírus mutáveis resistentes a antídotos eficazes. Como os vírus essa gente desconhece que o organismo aprimora-se nas defesas contra tais indesejáveis intrusos. É um combate contínuo e extenuante mas vírus ou gente compenetrem-se que vencida a surpresa inicial e após algumas perdas o organismo acaba por se imunizar e vencer. »
 
                     in http://moises-salgado-poesia.spaces.live.com/
 
 
     Primeiro a cobra, a seguir os vírus e as epidemias  provocaram-me um sentimento tão forte de desgosto, uma perplexidade tão inquietante (tanto mais que eu sabia que um tal texto me era dirigido, dias depois da espécie de homenagem poética com a paisagem de Amarante a coroá-la), que não resisti a comentar. Tal como eu esperava, o texto foi excluído do espaço, aberto apenas ao elogio, e, por isso, usando o direito à liberdade de expressão e de opinião, que ele coarcta no seu reino, mas que noutros ainda pode pontificar , eis aqui a minha reflexão:
 

«Que confusão!!! Em primeiro lugar, se os vírus «mutáveis resistem aos antídotos», é porque eles não são «eficazes»; de seguida, os vírus, porque são vírus (e ainda não se sabe exactamente o que sejam) não «desconhecem» nem conhecem coisa nenhuma, porque conhecer é apanágio da mente e os vírus não têm mente ( que se saiba!); depois, e pelas razões antes referidas, não vale a pena «alertar os vírus» para que se «compenetrem» seja do que for, eles não sabem; por fim, está visto: quem tem vencido afinal são os vírus, o que prova, se fosse necessário, que não é a inteligência ou o organismo a ter a primazia, mas os vírus! Logo, os tais organismos que se «aprimoram», que combatem continuamente a ponto de ficarem «extenuados», estão condenados a perder, porque novas mutações dos vírus vão resistir aos antídotos que chegam sempre tarde demais!»

 

 
 

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