Murmúrio

 
 
 
 
MURMÚRIO
 
 
 
murmúrio
um quase nada de voz
cicia
ao ouvido dos crentes
rezando a litania solene
(dos indecisos)
refugiados em crateras
(esquecidas)
 
eu oiço-a
(e oiço-a)
e quase nada sei
das palavras urdidas
em metáforas inquietas
de solidão e treva
 
quem disse
que o profeta
lançara sua oração túrgida
(de promessas)
quem rasgou o pregão
(das metáforas)
cujo sonho jamais
penetrou o real
 
eu vi-o
cavalgava nuvens
e trazia incenso
na ponta dos dedos
sua figura ondeante
transportava fogos
eivados de matizes
e por onde arrastava
sua cauda de luz
um braseiro acendia
tochas coruscantes
e nenhuma planta floria
(ao amanhecer)
 
que sei eu
que sabemos
e que sabem os tíbios
esses que abençoam
como quem lança feitiços
(de má fé e catástrofe)
 
que sei eu
que sabemos
nós
outrora lúcidos
e agora enfezando
nas campinas agrestes
de onde se retirou
a tormenta
e a luz
 
procurámos equilíbrios
sobre cordas suspensos
e afinal
quando veio
essa quietude almejada
soou-nos a silêncio
e tudo era treva
 
antes a odisseia
clamorosa e aflita
antes a cavalgada
por prados e estepes
antes a subida
ao cume nevado
que esta ausência de cor
e de dor
(e de nada)
 
escavámos bem fundo
e lá baixo
no ventre
da terra batida
um filamento breve
de existência e de medo
entreabriu a porta
de um pedaço de tempo
e foi então que soubemos
que a fonte jorrva
e nos deixava plenos
de frescura e viço

Uma resposta to “Murmúrio”

  1. ░░░░ ♥Isabel░░ ♥ ♥ ░░░░ ♥ ♥ ░░ Says:

    ESTOU PASSANDO PARA TE DESEJARUMA BOA NOITE.UM BEIJO EM SEUISABEL

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