LONGE

 
 
LONGE
 
 
 
 
venho de longe
(e vou para longe)
o perto nada me diz
por ele desvairo
por ele me arrasto
por ele rodopio
em circunvoluções de inépcia
 
sim venho de longe
das longínquas estrelas
(talvez desvanecidas)
dos fundos oceanos
(decerto enegrecidos)
do alto das montanhas
(se calhar mergulhadas
em névoa entretecida)
 
o perto
não tem poder para agarrar-me
nele me vou perdendo
(sombriamente)
como um eco de mim
um simulacro de rosto
uma sombra
uma esfinge
 
vou para longe
nessas sendas ignotas
(até de mim própria)
em desvios agrestes 
por rochedos inóspitos
e areias movediças
arrastarão meus passos
 
o perto
causa-me náuseas
trepido de ansiedade
bocejo de angústia
(o perto)
tem o travo das lágrimas
e o gosto do sangue
e arde
e dói
como espartilho gasto
 
 
venho de longe
(porque sou de longe)
vou para longe
(porque é lá que pertenço)
e quando estou perto
(neste perto de aqui)
é o longe que anima
os meus passos
de agora
 

Uma resposta to “LONGE”

  1. Pedro Says:

    Longe e perto, montanha e vale, esta oscilação pendular mais do que oposta deverá ser vivida como complementar e até unificada.Ter o infinito no agora, o passado no futuro, unir o princípio e o fim, eis o sinal que orna a fronte dos nobres peregrinos da verdade, que sabem assim transmutar as aparentes limitações, demandar os testes iniciáticos, vencer as provações do quotidiano, fazendo vir ao de cima a Unidade da Existência, a Realidade do Amor e do Espírito perene, aqui e agora, tão longe quanto perto… Ei

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: