REPETIÇÃO

 
REPETIÇÃO
 
 
 
«Ó meu querer, curva do caminho de toda a necessidade, necessidade toda minha, livra-me das vitórias mesquinhas!
Ó vocação da minha alma, tu a quem chamo meu Destino, tu que estás em mim, acima de mim, preserva-me, guarda-me para um grande destino!
E a tua grandeza suprema, ó meu querer, reserva-a para a tua suprema proeza, – mostrares-te inexorável na vitória. Ah! pois quem não sucumbiu à sua vitória?
Ah! que olhos se não turvaram nessa perturbada embriaguês? Ah!  que pé não vacilou e esqueceu a firmeza na vitória?
Faz com que eu esteja um dia pronto e amadurecido para o grande Meio-dia; pronto e amadurecido como o bronze em  fusão, como a nuvem que traz o raio, como a teta cheia de leite,
pronto para mim próprio e para o meu querer mais secreto – arco que aspira à flecha, flecha que aspira à estrela,
estrela pronta e amadurecida no seu meio-dia, ardente e atravessada por uma flecha, desfalecida sob as flechas destruidoras do sol,
ela própria sol e inexorável querer solar, pronto para tudo destruir na sua vitória.
Ó meu querer, curva do caminho de toda a necessidade, ó necessidade toda minha, reserva-me para uma grande e única vitória!
 
Assim falava Zaratustra»
 
 
 
 
Friedrich Nietzsche, Assim Falava Zaratustra

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: