QUE ASSIM SEJA

  
 
 

QUE ASSIM SEJA
 
 
 
Os sonhos erguem-se numa vastidão estreme
onde sóis e tempestades entretecem
uma cortina diáfana
por onde a luz 
em breve
expulsará toda a sombra
 
eu sei
que o ardor rectilíneo
não se compadece de certas oscilações
sei
que o cinzento dos dias
traz (às vezes)
a mescla inconfundível
do tédio e da rotina
sei
que os clamores da verdade
aguilhoam
surtos alternados de distância e fome
sei
que o que está junto
ora parece disperso
ora se estreita
em prisão cerrada 
 
mas o que conta
são os cristais da madrugada
espalhando veios de prata legítima
sobre rastos de olvido
e crateras de incerteza
e convertendo o dia
em epopeia ondeante
de trompas e címbalos
em anúncio solene
de novas harmonias
 
Quem não souber erguer-se
(a cada hora)
e saudar o sol
acima da cabeça
mesmo quando a nuvem
ameaça toldar
a vastidão cerúlea do horizonte
quem não resgatar o tempo
na afirmação confiante
de madrugadas a renascer
e sentir
(sobre a cabeça)
a leveza de uma vida a construir
 
ah
não seria melhor
guardar-se em si próprio
para não se imiscuir
nas torrentes vitais
dos que preferem caminhar?
 
Ora nós
sobrepujamos o tempo
rodamos os ponteiros da existência
(a nosso favor)
e por essa razão
ousamos unir-nos em celebração
crendo que a vida contém
muitas vidas
e cada porto é ainda
a partida para outros oceanos 
e cada noite
o roteiro profundo
de outras alvoradas
 
Que assim seja
 

 

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